terça-feira, 11 de agosto de 2009

Almas perfumadas

Fonte Foto: Hugo Wanner
(autor desconhecido)



Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai
Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Projeto Ação Griô: Alimentando a tradição


A ação griô Nacional em atividade nas comunidades de Belo Vale, através do Ponto de Cultura Arraial da Boa Morte, desde o mês de Junho de 2009, vem desenvolvendo atividades lúdicas e educativas com crianças, jovens e adultos, fazendo uma integração entre as escolas e as comunidades da nossa região.

Este projeto tem como objetivo específico difundir a cultura regional e levar os grandes saberes dos mestres griôs às escolas e às comunidades, principalmente aos jovens, que em um futuro próximo poderão repassar este saber a outros jovens, multiplicando assim conhecimentos e práticas que fazem parte das nossas raízes.

A importância dos “Griôs” na sociedade é plural. Os griôs são considerados “mestres” que dominam algum saber prático ou algum saber popular, saberes estes que estão se exaurindo a cada dia pela ausência de incentivos ao ensino de tais conhecimentos. A palavra “Griô”, abrasileirada por um ponto de cultura da Bahia, tem origem francesa, vem de Griot, que significa o sangue que circula. Este significado traduz a magnitude deste projeto, pois o sangue circulando, significa vida em abundância.

A cidade de Belo Vale, é infinitamente rica pela presença de griôs e podemos considerar um privilégio participar deste projeto, pois através do incentivo do Ministério da Cultura, a comunidade poderá conhecer alguns dos nossos mestres e os saberes que os mesmos, com sua simplicidade, irão ensinar.

Para quem não consegue imaginar a figura de um Griô, com um simples exercício irão identificá-los por todo lado. Quem nunca tomou um chá quando doente preparado por algum raizeiro, grande conhecedor de ervas e ramos do mato? Quem nunca foi bento quando criança ou até mesmo quando adulto por aquela Senhora Rezadeira que tem o poder de tirar mau-olhado, quebranto ou qualquer sintoma que nos tira o ânimo? E quem não gostaria de aprender tecer lindos balaios feitos por artesãos de bambu? E na hora da merenda, aquelas deliciosas receitas de biscoitos, broas e bolos, fazem ou não fazem a diferença na mesa? Estes são exemplos de grandes saberes que mestres griôs irão nos ensinar... Muitos outros saberes serão difundidos no projeto, cada um diferentemente do outro, irão contribuir para atingirmos nossa missão: Fazer com que a nossa tradição seja continuadamente alimentada pela população.

O projeto, que só está começando, promete trazer muitas oficinas para todos os que desejarem aprender um pouquinho dessa rica cultura que Minas Gerais esbanja no cenário brasileiro. Está previsto para este segundo semestre de 2009, oficinas de confecção de artesanato de bambu, oficinas de muros de pedras, oficinas de biscoitos, oficinas de raízes e plantas medicinais e nesse ritmo de aprendizagem mútua, como bom mineiros que somos, não deixaremos de alegrar nossos encontros com muita festa, músicas, rodadas de poesias, rodada de histórias e o que não vai faltar é alegria na grande roda da vida griô.

Esperamos todos nos nossos encontros e não deixem de conhecer o projeto, ele faz parte da nossa história!

Contato: Lívia Leão – Griô Aprendiz do Projeto

Email: livialeao@ig.com.br